NOTA DO AUTOR: Este é um crossover, ou seja, um conto referente a Keldora, mas que não reflete a realidade de um acontecimento em Keldora com os personagens em questão. Este conto foi o piloto, que deu início a todo o conto levar o rumo novo.
Romance 2 – A lenda Darkan,o Filho de Clothes
Nada acontece por acaso.
Essa é uma das regras quando se vive e é algo que simplesmente acontece naturalmente assim como a chuva.
Acredito nisso há muito tempo e desde que tudo aconteceu.
Este é o meu diário com minhas últimas memórias sobre os acontecimentos passados.
“O que for para ser, será!”
Muitos dizem que é impossível ir contra o destino, mas não é errado querer construir um destino com nossas decisões baseadas em como vivemos e o que temos que passar. As pessoas não são totalmente fracas como acreditam, todas tem o poder para se levantar após um trauma que poderia ter a matado. Mover-se é uma decisão única e que ninguém pode fazer por você, só sei que se eu cair, mesmo que eu rasteje sangrando com meus ossos triturados, continuarei a me mover em frente para alcançar meus objetivos e salvar aqueles que eu amo.
“Fraqueza é Força”
É uma questão de ponto de vista. As pessoas acreditam naquilo que são condicionadas a acreditar e por isso não conseguem passar de certos limites. Suas vidas serão recicladas para renascer novamente para aprender o mais correto para se tornarem pessoas melhores.
Gambitos renascerá. Porém não vai ser para sua evolução espiritual, será para trazer a destruição a esta terra, e quando ele nascer novamente, meus cavalheiros vão estar o esperando para expulsa-lo para o lugar de onde ele veio. Com espada em punho, o mago aprende que às vezes o conhecimento deve ser colocado em seus punhos para poder usar com inteligência a espada enquanto ela corta o mau.
A minha história começou no ano 986 após a lendária guerra Gambital. Meu pai, Clothes, caminhava de mãos dadas comigo pelas Planícies de Munin, uma planície que ficava aos leste de nosso castelo. Tudo estava perfeito aquele dia. O azul do céu me encantava como a voz de minha mãe, uma voz que não sai da minha cabeça. Aquela melodia que ela cantava antes de eu dormir e os contos, tudo isso eu me lembrava com os olhos cheios de lágrimas e o coração cheio de boas lembranças. O céu me lembrava ela, pois era debaixo do céu que eu encontrava a proteção que poderia de chamar de lar. Olhava para o horizonte e via a Cidade Metropolitana dos Grandes Coliseus. Meus pais sempre preparavam pergaminhos de teleporte para eu ir para a cidade e voltar para o castelo em segurança. Meu pai queria que eu aprendesse mais sobre a vida, sempre e sempre eu procurava saber mais, estudava todos os dias com meu pai. Ele sempre dizia que os dias sempre seriam melhores, e que nós apenas temos que ter esperança nisso.
Eu apenas tinha seis anos de idade e já era conhecido como o filho do mago mais poderoso e sábio de toda Keldora. Eu era intocável e respeitado. Aprendi muitas coisas importantes com meu pai, como a humildade e nunca desistir de nada nesse mundo, principalmente de meu sonho de querer um mundo onde todos possam viver felizes. Acho que é o sonho de todos, viver feliz.
O que as pessoas precisam para viver felizes?
Dinheiro? Recursos? Igualdade? Não! Nada disso importa. Acredito que o que importa é algo que não tem preço. Algo que se dá as pessoas sem querer nada em troca e que se ganha mesmo assim. Acredito que é o amor que deveria mover este mundo o qual muitos simplesmente chamam de podre, porém nada fazem por ele.
Minha mãe era do tipo de pessoa que amava as pessoas de forma intensa, sempre dizendo o quão importantes nós éramos para ela. Ela sempre devolvia um sorriso e este sem dúvidas é o melhor pagamento que alguém pode ter.
Eu nasci rico, porém caminhava entre os que tinham muito menos que eu, simplesmente para aprender a vida com eles. Queria saber suas motivações, seus sonhos, seus desejos e vontades. Eu queria aprender mais e mais. Caminhava como um deles, comia o que eles comiam e aprendi a estender a mão e apertar a de meus amigos e dizer o quão especial alguém poderia ser para mim, independente de onde ele vinha ou para onde ele iria. Meu pai tinha tudo, autoridade, conhecimento, amor, descendência, dinheiro e imortalidade por causa de sua amizade com Puerzan. Eu sempre o admirei e me senti satisfeito com tudo, porém meu irmão Rakai sempre o invejou e teve orgulho de seu status gerado pela sua “descendência”. Sempre pisou nas pessoas sem que meu pai soubesse e sempre dava uma ordem com seu poder para que eles nunca contassem o que tinha acontecido. Eu o olhava entristecido com os fatos e imaginava como alguém poderia ser assim. Mas mesmo assim, ele era meu irmão precisava de meu amor e não de meu ódio, mas mesmo com tudo ele não tinha meu apoio. Existem coisas mais importantes que laços familiares, e estes com certeza são os atos corretos e humanos… Meu irmão apareceu no campo junto comigo, eu estava desmaiado não me lembro o porque e ele também, e meu pai estava junto conosco enquanto nos acordava. Eu não me lembro muito bem, mas eu não me lembrava de meu irmão mais velho. Ele tinha nessa época dezesseis anos e eu pensava “será que quando eu estiver mais velho eu vou ser mau?”, era uma dúvida que eu tinha. Poder trás destruição de todos os homens e a autoridade trazia o respeito. Isso é o fato. Posso escolher entre matar meus súditos com meu poder e acabar com as pessoas e ficar sozinho ou simplesmente ter autoridade sobre eles e ganhar o respeito deles como amigos. Autoridade foi minha escolha.
Ano 1000. Eu tinha vinte anos e meu pai em um de seus experimentos acabou morrendo. Me perguntava “como ele morreu? Ele não foi abençoado com a imortalidade por Puerzan, como algo assim?”. Não entendi o que aconteceu, mas mesmo assim aceitei. Eu e meu irmão anunciamos a morte ao imperador e ele recomendou que avisássemos todos da cidade, porém já fazia cinco anos que eu não passava pelos portões do castelo por causa dos estudos arcanos e os círculos. O imperador foi caridoso conosco e disse que era muito amigo de nosso pai e mandou um cavaleiro da Ordem Luz Trevas verificar o que realmente aconteceu e ele confirmou a morte de Clothes.
O Funeral foi celebrado na praça principal de Keldora, porém minha tristeza e lágrimas me impediram de acompanhar os cavaleiros em sua última celebração. A tristeza e a dor que invadiam meu corpo eram muito grande para eu aguentar. Nunca havia sentido uma tristeza assim.
Meu pai antes de morrer me disse que tinha algo para mim e meu irmão e que estão na sala de testes. Eu fui até a sala e encontrei um pergaminho e um pequeno baú em cima da mesa. O pergaminho era o testamento para mim e meu irmão que comecei a ler em voz alta:
“Filhos amados, Darkan e Rakai, eu sei a verdade desde do inicio quero que a verdade se torne uma mentira para que a união exista. Para você Darkan, tudo o que me pertenceu será seu, inclusive esse baú que contem um poderoso artefato que lhe ajudará a compreender a nossa história e o que eu passei. A história nunca foi contata, porém não será necessário se algum dia você descobrir a verdade, porém a mentira fará com que a paz continue. Não cabe a você decidir sobre a mentira, mas cabe a você fazer suas escolhas, a você Darkan que eu eduquei com a humildade e o amor, terás tudo e o símbolo da ordem Luz-Trevas em seu braço para sempre ser realeza incontestável. Para seu irmão os pergaminhos lendários, os pergaminhos que ensinaram como desenvolver sua personalidade para algo melhor, acredite, faço isso para seu bem Rakai. O imperador já sabe dessa carta de testamento já que ela a partir do momento que Darkan tocar ela fará uma copia mágica que irá para seu castelo. Eu amo muito vocês meus filhos. ADEUS”
- Eu... cavaleiro? – Darkan estava confuso não entendo porque ele recebeu tudo, enquanto pensava em seu braço direito uma marca foi se formando, era o símbolo da ordem. – se ele fez isso é porque queria que eu me tornasse forte para poder proteger o reino em seu nome… Seria isso mesmo?
- LÓgico que não Darkan seu idiota! – Rakai apareceu na porta – poder foi feito para submeter às pessoas aceitarem nossas ordens, nós poderosos deuses magos...
- NÃO DIGA IDIOTICES RAKAI!COMO PODE DIZER ALGO ASSIM, NOSSO PAI NUNCA GOSTARIA...
- Cala sua boca Darkan, você sempre foi o QUERIDINHO DO NOSSO PAI!!!
- É porque eu sempre fiz o mais correto, sempre fui a favor desse povo.
- E o que esse povo fez por nós? NADA, sempre se preocuparam com o próprio rabo. Isso os impediu de se tornarem pessoas fortes.
- Mentira, cada um escolhe seu caminho e eu escolhi o meu, serei o exemplo para este reino.
- E eu serei o novo imperador após matar o atual e criar uma nova ordem.
- Você só pode estar brincando! – Darkan se aproximava aos passos curtos de Rakai com os olhos cheios de lágrimas – não vou deixar que você manche o nome de nosso pai! – Darkan acertou um soco de direita na lateral do rosto de Rakai e ele se curvou com a mão no rosto.
- Maldito seja tu Darkan, enquanto eu viver seus propósitos terão problemas.
- Não se eu poder impedir, em nome de meu deus PUERZAN eu o deterei.
- Vamos ver a quem deus favorecerá!
Darkan passou por Rakai que estava no chão ainda e se dirigiu para seu quarto para arrumar suas coisas, seu coração o mandava sair do castelo enquanto ainda tinha tempo, então ele pegou seu sobretudo de couro amarelo escuro, e colocou uma roupa leve por baixo e suas botas. Ele olhou no espelho procurando encontrar algumas respostas, mas somente viu a figura de um homem de cabelos loiros compridos, pele clara e olhos azuis. Ele começou a fazer uma trança para seu cabelo não atrapalha enquanto pensava “será mesmo que o que Rakai disse era verdade… Porque a conversa chegou a esse nível… Pai… Sinto muito sua falta, mas sinto que tenho que sair deste castelo”. Logo após arrumar suas malas ele saiu do castelo indo em direção a floresta. Rakai olhava de uma das janelas do castelo Darkan enquanto ele ia em direção da enorme floresta que havia lá por perto, quando a imagem dele se perdeu finalmente dentro da mata. Rakai foi até a biblioteca ver os pergaminhos para ver se havia realmente algo que lhe interessava.
- Droga, somente pergaminhos falando sobre relações públicas e tratamento de pessoas. O que aquele maldito velho realmente queria me mostrar será que era mesmo piedade? – Rakai começa a entender que realmente tinha que ser assim, que a bondade tinha que prevalecer quando em sua mente uma vez veio.
“Piedade é para os fracos... A piedade fez com que muitos das boas pessoas vivessem o suficiente para se tornarem vilões. Você tem que limpar este mundo da hipocrisia e criar uma nova ordem, quando o bom desiste de ser o que é ele se torna algo pior, isso é a dualidade. Para existir o bem, tem que se fazer o mau.”
- Sim – Rakai segurou sua cabeça com força e caiu de joelhos como se não quisesse que a ideia entrasse em sua mente, mas aos poucos ele foi cedendo mais e mais – sim, é isso que eu tenho que fazer hahahaha! - Ele se levantou e voltou a ler os pergaminhos e encontrou um que lhe chamou a atenção, um que parecia estar faltando um dos pedaços bem aonde estava escrito.
“O Medalhão é o artefato mais poderoso de toda Keldora, foi ele quem ajudou a destruir o maléfico e tirano Gambitos removendo os seus poderes. O artefato somente é poderoso quando é extraído o poder de sua gema central e quando é adicionado óleo de bomba Gambital dentro sua energia. Somente um grande mago conseguiu fazer essa façanha até hoje, este esta entre os mais poderosos de todos. Aquele que possuir o medalhão com certeza terá poder o suficiente para mover nações, erguer montanhas e controlar os dragões das montanhas sem um pingo de problema, porém...”
- Porém! – olhou Rakai indignado por não terminar a leitura – porém o que? Mas que droga! Maldito mago Clothes, ele não guarda direito essas porcarias e as traças comem tudo, tudo, tudo!Ah maldição eu não acredito nisso...Bem com as informações que eu tenho até agora eu sei que existe um medalhão que pode me ajudar com meus objetivos de dominação. Porém para onde será que foi esse medalhão...O BAÚ?!
Darkan estava na floresta caminhando sem rumo, estava confuso precisa andar um pouco para colocar seus pensamentos em ordem, nada estava tão exato para ele. Ele estava se sentindo deslocado sobre o que fazer. Ele sentou em uma enorme raiz de uma enorme árvore da floresta eterna e tirou o baú de sua bolsa. Dentro dele estava um colar com um medalhão e um pedaço de pergaminho. Ele leu o pedaço de pergaminho sem entender muito bem mas sentiu que era algo para guardar, então colocou dentro de um bolso interno de seu sobretudo e continuou a caminhada por uma trilha.
- O poder que eu carrego atrai as trevas isso é certo, clérigos de Gambitos poderão tentar vir atrás de mim com suas criaturas, tenho que estar preparado para isso... – um som de madeira torcendo chamou a atenção de Darkan e quando ele olhou para trás uma enorme árvore tomava forma humanóide adquirindo boca, olhos e membros.
- Que diabos é isso?!
- Me...daaaa...o ...poder... – balbuciou a criatura. Darkan observou duas marcas de Solange na testa da criatura.
- Ressurrectum de nível 2! – Darkan se espantou, pois criaturas assim deveriam ser muito difíceis de serem encontradas, mas por ser o ano 1000 muitas criaturas dessa forma acabaram surgindo – Droga! Nem mesmo a ordem de cavaleiros de Luz-Trevas é autorizada a combater criaturas assim pelo grande poder de maná que estes seres possuem. Devo ou não usar o medalhão? Não tenho escolha – Darkan colocou o medalhão quando uma enorme bola de fogo azul acertou no lado direito da criatura explodindo. Darkan olhou e havia um elfo em cima de um galho que pulou e correu em direção da criatura enquanto guardava seu arco nas costas e desembainhava uma espada de lamina negra. A criatura atacou virando com grande fúria seu braço que pegava fogo, o elfo se abaixou e subiu em grande velocidade movendo o ar em duas ondas de choques que terminaram de destroçá-la após o primeiro impacto. Darkan impressionado olha para o elfo que vira em direção de Darkan.
- Crianças não deveriam estar andando pela floresta eterna – disse serenamente como a brisa – o mau persegue aqueles que tem poder.
- Obrigado pela sua ajuda amigo elfo. Sou Darkan Pureza, filho de Clothes.
- Como?! – o elfo se aproxima em passo firme, sua aparência agora estava ameaçadora, ele segura na gola de Darkan com força - Como ouse nomear filho do herói de Keldora seu verme humano, o homem que eu mais admiro não vai ter o nome sujo por um humano qualquer.
- Calma – disse Darkan calmamente – o que eu digo não é mentira, posso lhe provar, olhe meu braço esquerdo.
O elfo lhe soltou e puxou o sobretudo para ver o braço esquerdo dele e quando viu seu olhos arregalaram e ele se curvou imediatamente – Realeza, lhe peço perdão...
- Levante-se elfo e me diga seu nome.
Ele se levantou e se apresentou –Sou Neriuhi das Folhas de Prata, filho de Dain, senhor dos elfos guerreiros.
- Obrigado por ter me ajudado – Darkan arrumava sua roupa – agora tenho que ir, o grande mau se aproxima.
- Posso seguir o senhor?
- Não me chame de senhor, tenho apenas vinte anos de idade. Me chame apenas de Darkan, se sentirei mais confortável assim. Prefiro que não me siga, é perigoso demais...
- Mas você viu minha força...
- Sim, mas o perigo é muito mais poderoso que a madeira que pode ser queimada.
- Sou a floresta que não queima, sou a vida eterna.
- Até mesmo a vida anda de mãos dadas com a morte.
- Até mesmo a morte sabe que não é nada sem a vida.
Darkan sorriu em sinal de ter gostado da resposta – estou com fome Neriuhi, sabe algum lugar para comermos?
- Pode me chamar de Neri.
- Esta certo ... Neri.
