Conta as canções dos bardos que os Ezerl
Hazam-züm antes de verem a verdadeira morte de Yudvar lhes foram
ordenado pela própria voz de Yudvar a encontrar um ser com algo em
especial para que sua pequena força pudesse se unir a gigantesca força de
seu ser se transformar em uma energia nova, conhecida como deus.
No inicio, as primeiras vilas e vilarejos
humanos foram surgindo e com elas muitas coisas foram aprendidas de acordo com
a necessidade com o passar dos anos. A forja e a arte da guerra para se
defender dos constantes ataques dos orcs que durante a noite os atacavam na
caçada noturna por cervos e coelhos.
Puerzan era um menino curioso que queria muito ser caçador como
seu falecido pai um dia foi. Não existem contos falando da sua real aparência.
Seu vilarejo ficava a muitas milhas do mar e muito próximo de uma floresta que
nem mesmo os elfos tinham coragem de viver pela quantidade de tribos orcs que
caçavam animais por ali. Os humanos por anos tentavam se comunicar com os orcs
tentando um acordo de paz, porém os orcs dali apenas pensavam em pilhagem,
matança e destruição. Eram seres de completa ignorância e que apenas se
preocupavam com seu próprio rabo não tendo como formar um grupo organizado,
apenas bandos que vivem sempre em conflitos. Durante a noite era proibida a
saída da vila e os portões eram fechados para que nenhum orc invadisse.
Fogueiras enormes eram posicionadas em frente aos portões principais de forma
que o afastassem devido à aversão dessas criaturas a qualquer tipo de luz, já
que os mesmo odiavam a luz do Sol e do fogo.
Puerzan era zombado por outros garotos da
sua idade por que ele não consegui nada durante as caças feitas em grupos nas
florestas no período da tarde.
- Hahaha!Lá vem o Sr. Caçador! – disse um
garoto tirando sarro da cara de Puerzan que estava triste devido a situação.
- Não vejo o porquê ficar zombando da cara
de Puerzan, ele apenas não teve sorte hoje... E nem nunca terá!hahahaha – outro
garoto próximo começou a rir apontando para Puerzan e todos os outros rirão
dele também.
Puerzan serrou os punhos e abaixou a
cabeça e em seguida os encarou estendendo o seu braço direito e disse – não vão
ser as palavras de vocês que vão destruir o destino glorioso que os céus me
reservam.
- Ah lógico e um enorme coelho cairá do
céu! – todos riram e Puerzan passou por eles indo em direção a cabana onde
morava dizendo a seguinte frase.
- Hoje à noite eu irei à floresta
enfrentar meus medos e trarei de manhã um coelho e vocês verão o quão bom
caçador eu sou.
Durante a noite decidiu que iria conseguir
a sua caça por conta própria e saiu em direção à floresta. Sua mãe durante a
noite notou a falta de seu filho e acordou. Ela foi verificar na cama dele e
ele não estava deitado. Ela procurou por toda a cabana e viu que ele não estava
ali dentro, ela começou a entrar em desespero e saiu gritando no meio do
vilarejo nome de seu filho e acabou acordando a todos.
- PUERZAN!PUERZAAAAN!
Um homem a segurou pelos braços e olhou
para ela assustado com a gritaria que fizera. As pessoas saíram e foram ver o
que estava acontecendo e começaram a se perguntar o que está havendo aqui?
e porque ela está gritando?.
- Puerzan saiu de casa, eu não sei onde
ele está – disse com os olhos derramando lágrimas, enquanto os garotos da manhã
se aproximavam dela.
- Acho que Puerzan foi caçar.
- Como assim caçar?! Isso é ridículo, não
é hora de caçar! Quem daria uma idéia estúpida a ele de ir caçar a noite?
- Na verdade... Ele disse que faria isso
hoje de manhã a nós – a mãe arregalou os olhos assustada, pois sabia do perigo
dos orcs e correu em direção do portão principal e percebeu que ele esta um
pouco aberto. Seus músculos das suas pernas começaram a tremer e ela entrou em
pânico com a idéia de seu filho ter saído durante a noite na floresta cheia de
orcs. Ela correu então para a cabana do líder do vilarejo que não havia
acordado não se sabe como, e todos a seguiram com grande curiosidade para ver o
que ela iria fazer a respeito.
- Grande mestre! Grande mestre me atenda,
sou uma mãe desesperada pela vida de meu filho.
O mestre, um senhor de idade avançada
apareceu segurando um pedaço de madeira como bengala e lhe disse já prevendo o
que acontecera – conhece as regras e sabe o que aconteceu. Nenhum homem pode sair
do vilarejo à noite, pois existe o perigo lá fora e não somos o suficientemente
fortes para combater algo que esta em seu território... Esqueça seu filho, há
essas horas ele não deve mais ter vida dentro de seu corpo.
Ela olhou assustada com as palavras frias
do mestre e saiu correndo passando por todos os outros que estavam atrás dela e
os disse ao se aproximar do portão principal.
- Se nenhum homem tem a coragem para me
ajudar e se o líder é tão obediente a regras, eu que sou uma mulher irei atrás
de minha cria e a trarei de volta, podem ter certeza – com as lágrimas como
armas ela saiu e correu floresta adentro antes que alguém pudesse a impedir de
avançar.
Ela andou e procurou por horas e nada, até
que em um momento quando perdera as esperanças ela o encontra segurando em sua
mão esquerda uma pequena lança tosca e na outra mão segurando pelas orelhas uma
lebre.
- Bem, não é exatamente um coelho... Mas
acredito que ninguém vai perceber muita diferença, certo mãe? – disse ele com
um sorriso no rosto
Ela correu em sua direção e o abraçou
forte com lágrimas escorrendo pelo seu rosto com tamanha felicidade de ver que
seu filho estava bem.
- Nunca mais faça isso comigo Puerzan...
Nunca mais saia desse jeito – ela o abraçava quando percebeu uma presença a sua
frente.
Um orc enorme esta parado em sua frente
empunhando um machado muito gastado e cheio de sangue e em outra mão segurava
um cervo pelo pescoço que estava quebrado. Ao ver a criatura, um calafrio subiu
pela sua espinha e seus pelos arrepiaram com a sensação de medo e morte. Ela
soltou seu filho e foi para frente dele.
- CORRA PUERZAN! – ela se levantou e ficou
de braços abertos em frente do orc em sinal para não
ultrapassar ou ferir seu filho. O orc ergueu seu machado e desceu sem um pingo
misericórdia e neste instante Puerzan puxa sua mãe pelas roupas e entra em
direção do machado sendo acertado junto com a sua mãe. Os corpos caíram cada
parte um canto. Corte dilacerador vindo de uma enorme força, foi uma chuva
vermelha.
Avelangelus encontrou Puerzan no túnel
para o renascimento e disse que assistiu sua bravura ao entrar na frente para
tentar proteger sua mãe da criatura. Puerzan chorou por não poder proteger sua
mãe e por ter sido orgulhoso.
- Não se preocupe – disse o Alto-Anjo com
voz firme – você fez seu melhor, e agora sabe que o único caminho do orgulho é
o fracasso e por isso merece um presente.
Avelangelus abriu sua mão diante a Puerzan
e uma caixa branca com um símbolo apareceu num passe de mágica.
- Abra, tenho certeza que é você. – disse
o Alto Anjo com um sorriso no rosto.
Puerzan abriu a caixa e uma luz forte
surgiu e iluminou tudo, ele compreendeu tudo no mundo e aprendeu o que era ser
um Deus. Aprendeu sobre benevolência e justiça. Puerzan ficou encarregado do
ser o protetor dos bons ventos e criou um pequeno plano aonde as boas almas
poderiam descansar em vez de renascer se assim escolhessem, porém os que
renascessem deveriam fazer uma preparação para tal e esqueceriam todas suas
memórias passadas e teriam uma vida nova. Ela chamou o plano de Vale dos
Unicórnios. Um lugar místicos que acolhia as criaturas que levavam o nome
do vale. Dizem que o chifre de um unicórnio tem o poder de reviver um morto e
purificar a terra. E aonde estes animais vivem existe a paz.
Existiam outros seres providos de coragem,
genialidade e principalmente burrice... Mas de forma exagerada.
Criaturas humanóides de estatura
aproximadamente entre os oitenta centímetros de altura e pele de coloração
geralmente verde e raramente vermelha dependendo da região, tem um enorme nariz
e orelhas grandes, e pontiagudas. Eles se organizavam em tribos dentro de
montanhas ou próximos a desertos e prestavam muitas vezes serviço aos humanos
para poderem trocar por materiais, porém eram desprezados pela sua aparência e
força física baixa, considerados ratos e trapaceiros geralmente por suas
“espertezas” e trapaças. Dentre todas as tribos existia uma em especial que era
a Tribo do Dragão de Fogo. A tribo levava este nome por venerar um dragão
vermelho o qual acreditavam ser um deus pelo seu tamanho. Este dragão morava na
vila e protegia os goblins dos humanos e quaisquer outros seres como os kolbolds,
criaturas humanóides com aparência de lagarto que tinha entre cinqüenta a
setenta centímetros. Os goblins viviam em guerra com os kolbolds durante
gerações, mas nunca nenhum acordo de paz foi tentando entre as duas raças
porque toda vez que uma raça encontrava a outra, havia somente certeza que
sairia briga.
Dizem que no Deserto de Nair existe
um templo que foi erguido por um rei dragão e lá existe a Fagulha Primal.
Esta seria a primeira chama que deu origem ao universo e que teria o poder de
um deus e quem a tivesse seria aclamado como rei dragão das chamas.
Porém, apenas lenda até então.
Gambitos era um goblin vermelho que vivia nessa tribo e que sempre
ouviu essas lendas desde que era um filhote. Um dia sua tribo se encontrou em
um grande problema, o dragão estava doente, quase morrendo e o único jeito de
fazer ele melhorar seria lhe dando mais poder. Gambitos foi o escolhido a sair
da tribo e tentar salvar o dragão, ele era sem dúvida o guerreiro goblin mais
corajoso e forte que já se ouviu falar. Ele recebeu a benção dos xamãs anciões
de sua tribo e saiu em jornada pelo Deserto de Nair carregando uma lendária
lança feita com madeira da floresta eterna dos elfos. e a ponta feita de escama
de dragão, uma lança de ponta vermelha, a Igniságro, uma capa de
coloração igual ao do deserto com capuz para lhe proteger do sol escaldante do
deserto e para se camuflar no deserto e uma bolsa com mantimentos para uma
semana.
Ele foi indo em direção ao deserto com o
capuz em sua cabeça caminhando em passos moderados para não se esquentar
demais, apesar dos goblins terem certa resistência ao calor, eles ainda sofrem
o efeito do cansaço como os humanos. O primeiro dia ele andou simplesmente em
linha reta até o anoitecer, ele havia agradecido ao dragão por esconder o sol
para que sua pele pudesse descansar do calor escaldante. Ele sabia que a cada
passo estava mais próximo de seu objetivo e que se desistisse não só estaria
fracassando com sua vila e sim mentindo a si mesmo.
Ser confiado pelos anciões goblins era o
mesmo dizer que é quase um status máximo de nobreza entre os goblins, e isso
quer dizer que você pode ser indicado a líder da aldeia, ou tribo caso consiga
realizar o grande feito que lhe foi destinado. Gambitos não pensava nisso, não.
Ele realmente não pensava em que iria ganhar, ele pensava no bem estar dos
goblins que viviam lá. Nesta dia ele apenas caminhou, não se alimentou e dormiu
com o manto sobre ele para não ser pego desprevenido. No dia seguinte o calor
bateu com certa intensidade sobre o seu manto que quase o queimou, porém sua
pele protegida pelo manto ainda eram muito resistente, e ele apenas sentiu um
pouco de calor. Ele continuou a caminha em linha reta olhando para os lados
atenciosamente para ver se encontrava algo de diferente no caminho que lhe
pudesse indicar o caminho do templo, mas nada, apenas areia e o sol.
Ele caminhava em passos um pouco rápidos
quando sentiu uma vibração na areia. Parou e pegou sua lança com as duas mãos
armando uma posição em base firme e em prontidão, tentando ouvir de onde vinha
o som. O tremor oscilou umas três vezes em intervalos de cinco segundos mais ou
menos. Ele olhava atentamente para encontrar de onde vinha, sabia que não era
uma causa natural, quando a sua frente viu um volume enorme de terra se formar
vindo um uma direção em grande velocidade em sua direção.Ele olhou espantado
sem entender inclinando sua cabeça um pouco para trás e inclinando o rosto para
o lado esquerdo sem entender muito bem o que era, e quando o volume estava a
uns metros próximos dele o volume sumiu levantando areia como se a areia levasse
um impacto forte, Gambitos puxou a capa para frente de seu rosto para proteger
seus olhos contra a areia e logo percebeu que o chão debaixo de seus pés estava
se tornando areia movediça, ele logo ao perceber saltou alto, bem alto, para
não ser pego olhando para a área que acabou de escapar, quando houve um
grunhido fino e longo.
- Mas que droga está acontecendo aqui? –
se perguntou Gambitos – de onde raios veio este som?
Um enorme verme parecido com uma centopéia
púrpura, com escamas parecidas com de um dragão que se moviam de forma rítmica
quase se desprendendo do corpo serpenteado da criatura de órbitas oculares de
coloração amarela e uma central no ponto da testa um pouco maior aonde saia uma
fumaça negra. Com suas mandíbulas de inseto laterais na frente uma abertura
vertical cheia de dentes serrilhados ele saiu de dentro da areia e avançou em
direção de Gambitos que estava descendo ainda do salto que havia dado. Gambitos
rodou a lança em sua mão rápido e cada vez mais rápido e a ponta da lança começou
a brilhar e a incendiar e quando o verme chegou próximo dele um tronco em forma
de punho acertou um soco no verme e em seguida o segurou pela cabeça e várias
raízes e galhos foram saindo do punho e começaram a envolver e a apertar o
verme, e ele grunhia de como se estivesse sofrendo de dor.
- Criatura maldita, vai ser meu café da
manhã!
Gambitos tacou a lança rodando em chamas
em direção do tronco e tudo que estava envolvido começou a pegar fogo. O verme
se contorcia tentando escapar, mas nada que fizesse conseguiria lhe tirar da
prisão criada pela lança que após acertar o alvo voltou para a mão de seu dono
como um bumerangue .
Vários dias se passaram Gambitos não tinha
mais noção de quanto tempo havia se passado. Sua comida já havia acabado e ele
estava sobrevivendo dos lagartos e outras criaturas que encontrava no caminho e
matava. Quando estava terminando de subir uma duna deu de frente com uma horda
de kolbolds. Eles perceberam sua presença e o olharam enfurecidos e ele deu um
breve sorriso aos kolbolds, como se a glória viesse novamente para seus braços.
Ele queria aquele sangue sendo jorrado. Então em goblinóide que era a língua
comum entre as raças eles começaram a falar:
- Seus merdas! – disse Gambitos – tudo
frutinha da mesma flor.
- Lixo, você é um contra vários –
respondeu o líder da horda – vai morrer esmagado.
- Acho que encontrei meu almoço! – disse
Gambitos com uma expressão diabólica nos olhos.
Gambitos desceu a duna e os kolbolds
subiram em sua direção. Eram mais de 50 kolbolds usando lanças, facas e fundas.
Gambitos se aproximou do primeiro e o golpeou com sua lança que a cada golpe
brilhava em chamas. Outro kolbold veio pelo seu flanco lhe atacar com uma faca,
que foi logo esquivada rapidamente pelo seu reflexo bem treinado e um contra ataque
com a ponta do cabo da lança na boca do kolbold fez ele perder todos os dentes
da frente, e assim foi se aproximando. Ele atacava, acertava e ia para o
próximo sem maiores dificuldades, e sem fazer quase nenhum esforço. Já havia
derrubado dez com apenas um golpe seco na garganta em cada, e caminhava
relaxado, com olhar determinado a frente, esquivando poucas vezes e contra
atacando com sua lança em chamas. Ele levou algumas pedradas dos que usavam
fundas mas não se machucou tanto, logo ele já havia derrubado mais da metade
deles e estava começando a ficar exausto quando pensou “eu tenho que invocar
ajuda” e então saltou o mais alto que pode e começou a recitar o canto dos
anciões que haviam lhe ensinado a muito tempo, enquanto segurava sua lança:
As chamas de suas penas
São as fagulhas de centelha
O fogo de sua existência
Queima a floresta da fraqueza
E traz o brilho da vitoria
Gambital, eu te invoco
Lute para seu senhor
O céu escureceu e as nuvens ficaram
vermelhas naquela região. Onde Gambitos estava parado, logo acima dele nas
núvens, o vento ficou mais forte e começou a ganhar força e raios vemelhos
começaram a serem descarregados, tornando as núvem brancas em negras e em
seguida em vermelho como sangue. O vento era forte, e circulava Gambitos, assim,
não deixando os outros kolbolds subir a duna que ele estava. A núvem ganhou
intensidade e de lá uma algo parecido com uma ave foi conjurada e descia. Ela
tinha três caudas de lagarto com três penas em chamas que flutuavam nas pontas,
sua órbitas oculares eram amarelas e perto da pupila um tom laranja, sua penas
vermelhas como fogo e uma armadura que refletia chamas por dentro, o bico era
pontudo e serrilhado em algumas partes e ela soltava um som estridente que
deixava todos surdos, menos o seu conjurador.
- Gambital, a ave lendária dos contos dos
sábios das chamas, por favor me conceda seu poder de chamas e destrua estes
seres para meu almoço bem feito – disse Gambitos em tom irônico.
Gambital ergueu sua cabeça, puxou o ar que
começou a vir em forma de energia como se fosse luz e foi acumulando em forma
de esférica, fez um movimento brusco com a cabeça para frente disparando a
energia na direção os kolbolds. A esfera acertou o chão e começou a sugar todo
o ar em volta naquela região. Gambital voou em direção a Gambitos e ele a
montou e ficou protegido do efeito do poder da ave invocada. Os kolbold
seguravam sua gargantas tentando puxar o ar, mas ele não vinha. Em seus olhos
as veias saltavam e seus corpos espasmavam. Quando todos os kolbolds finalmente
caíram a invocação foi cancelada e Gambitos caiu no meio dos kolbolds
derrotados, ainda exausto. Ele foi em direção de um, agachou e serrou com sua
faca cega a cabeça com a ponta da lâmina da lança e fincou. Pegou o lagarto
pela calda e foi puxando, seguindo reto, quando algo lhe acertou pelas costas.
Ele olhou para trás sentindo aquela fisgada e viu o líder dos kolbolds olhando
para ele sorrindo em seus últimos suspiros. Ele removeu uma faca de suas
costas.
- Vene...no... gob... – antes do líder
terminar Gambitos estava descendo com suas garras na cabeça do kolbold bem em
direção ao seu olho e adentrando com tamanha violência que fizera maior
sujeira. Ele começou a vasculhar nos corpos se tinha algum antídoto entre eles
e encontrou algo e bebeu. Logo se sentiu bem e continuou a caminhar levando o
corpo até a hora que ficasse com fome realmente.
Durante cinco meses enfrentou hordas de
kolbolds e vermes gigantes. Muito ferido pelos excessivos combates pelo caminho
finalmente conseguiu encontrar o lendário templo, mas a exaustão o fez perder a
consciência e ele desmaiou em frente ao primeiro degrau do templo. Kanji-ha o
observava de longe em outro plano.
Assim como uma miragem que surge do nada,
Kanji-ha apareceu em frente a Gambitos e o olhou por um instante. Ele se
agachou e pegou o goblin em seus braços, olhou para escadaria de forma calma e
subiu degrau por degrau em passos calmos. Ele entrou no templo que mais parecia
uma antiga tumba e caminhou por um corredor extenso e cheio de armadilhas que
desarmavam quando ele passava por elas. Finalmente chegou ao final do templo
encontrando em um altar a fagulha que flutuava como se tivesse realmente vida
própria como contavam as lendas. Ao sentir o calor da fagulha Gambitos começou
a despertar do reino dos mortos e olhou sem entender e então sorriu para
Kanji-há sem forças para reagir, mas entendendo que ele o salvou de alguma
forma.
- Obrigado humano – disse o goblin com a
voz ofegante – graças a você meu povo viverá.
- Não sou um humano, pequena criatura, eu
sou um Alto-Anjo – Kanji-há tocou com seu indicador direito a testa de Gambitos
enquanto lhe segurava com seu braço esquerdo e ele compreendeu o que ele dizia
– Seu povo morreu há três meses. O dragão que os protegia morreu quando você
saiu e eles foram atacados por elfos que queriam o cadáver do dragão para obter
o seu maná, peles e dentes.
- Entendo – as lágrimas começaram a
escorrer pelo seu rosto, a tristeza estava visivelmente estampada em toda sua
expressão corporal.
- Porém não é o fim, nunca é o fim – ele
colocou o goblin no chão com cuidado e sse sentou com as pernas cruzadas em
frente de Gambitos, juntou suas mãos e estendeu uma a Gambitos e uma caixa
vermelha com um símbolo apareceu – se você realmente quer poder fazer a
diferença... Seja então a diferença. O tamanho apenas assusta, mas tudo na vida
tem um fim e na morte um começo. Creio que seja você a quem eu deva dar o que
está aqui dentro.
- E o que tem aí dentro?
- Tem tudo o que você precisa para
realizar seus sonhos. Você tem sonhos?
- Sim eu tenho. Porém estes sonhos eram
para todos.
- Se seus sonhos eram para todos, eu não
vejo o porquê de não te presentear, Deus Gambitos.
- Deus? Do que você fala?
- Abra e descubra.
Gambitos pegou a caixa e a abriu
lentamente com certo receio e uma luz vermelha foi surgindo de dentro dela e
fascinando seus olhos e a quando a caixa foi finalmente toda aberta a luz tomou
conta de seu corpo e o conhecimento sobre muitas coisas também o cobriu. Ele
sorriu. Sua forma não era mais goblinóide, era de um humano e muito parecido
com Kanji-ha, banhado por sua vergonha como goblin por não completar sua missão
espiritual. Ele se percebeu em um lugar onde o fogo e as terras queimadas
predominavam. Montanhas vermelhas e vulcões explodindo sua lava a todo
instantes maravilhavam os olhos de Gambitos.
- Onde estamos anjo?
- Para onde os que pecam vem, maravilhoso
não acha? Você cuidará de seus portões e terá o poder absoluto das chamas e das
criaturas nascida dele. Você será o herdeiro e porteiro do Inferno
Keldoriano.
Gambitos olhou espantando e confuso porém
um breve sorriso surgiu no canto de seus lábios – entendo, em alguns anos verei
aqueles que mataram meu povo novamente.
- Sim – afirmou o Alto Anjo com o rosto
sem expressão de sentimentos – faça o que bem entender, você tem inteligência o
suficiente para distinguir o certo do errado, agora é apenas questão de querer
– o Alto anjo desapareceu em forma de areia começando por baixo que subiu como
se fosse levantada pelo vento e aos poucos sumiu no ar.
A meio-elfa corria mais do que suas
pernas agüentavam. As feridas de chicote ardiam até os ossos, o sangue escorria
deixando um rastro pela floresta e a deixando cada vez mais tonta com a perda
do sangue, sua respiração estava ofegante, seus batimentos baixos e sua vida se
extinguindo aos poucos. Logo atrás gritos e flechas vindo em sua direção.
- Sua puta! Brinquedo de humanos volte e
termine de ser castigada!hahaha!
- Floresta, por favor, me salve – uma
barreira de troncos se formou logo atrás da meio-elfa bloqueando a passagem dos
seus algozes.
- Sua vadia! Voltaremos para cortar em
fatia seu corpo depois te violar novamente... – as vozes que vinham de traz da
barreira se afastavam e diminuíam até que finalmente ficou silêncio.
A meio-elfa sentou-se e abraçou seus
joelhos e abaixou sua cabeça e sua lagrimas escorreram pelo seu rosto.
Seu crime?Amar um humano.
O maior crime que pode ser cometido por
uma meio-elfa aceita pelos elfos.
Seu castigo? A morte!
Acreditar que a morte seria a melhor
punição para seu “crime”, não estava em sua crença, principalmente neste
momento. As feridas em seu corpo fizeram que o maná da barreira que havia
criado fosse cedendo e assim, a barreira também. As feridas eram muito graves e
provavelmente ela morreria… E ela morreu.
Caminhava até o Vale dos Unicórnios e
estava feliz por saber que iria para um lugar bom, subia uma escadaria feita de
luzes de certezas e satisfação. As escadas pareciam ser infinitas, mas após
subir mais uma centena de degraus ela se depara com um ser feminino que a
olhava com o rosto um pouco inclinado e com um sorriso singelo. Solange parou
três degraus antes de chegar até onde ela estava e lhe perguntou:
- Você não vai subir?
- Não
preciso e talvez você possa subir muito mais que isso, depende do quanto de
amor por tudo que você fez esteja nesse instante te dando força para criar
estes degraus.
- Vejo
que você sabe muito daqui, então não deve ser alguém qualquer, certo? –
perguntou a meio-elfa curiosa com a situação.
- Na
verdade antes de muita coisa eu já estava aqui.
- Você
deve esta com o bumbum doendo de tanto estar esperando sentada.
As duas se entreolharam sérias por um
momento e caíram na risada – realmente deve ser você quem eu estava procurando,
a “lady das matas”.
- Do que
está falando?
- Vou me
apresentar antes de qualquer coisa. Meu nome é Solenis, sou o Alto-Anjo
responsável pela magia neste mundo e responsável por tornar mortais... Ou quase
mortais em deuses para cuidar melhor desta terra e ajudar seus irmãos que serão
em breve seus filhos... Isso se o maná que contenho nessa caixa se identificar
com o seu – ela estendeu uma caixa verde com um símbolo para Solange. Ela subiu
um degrau e em seguida outro, se inclinou um pouco com sua mão direita próxima
a seu queixo e com a mesma foi aproximando com o indicador até finalmente
encostar a caixa. A reação foi estrondosa, a liberação fez com que seus cabelos
balançassem com a luz verde que ela emitia e com a energia que era liberada em
como se fosse uma ventania. Solange sentiu como se toda a natureza estivesse em
seu corpo – Solange este é o poder das matas, com ele você se torna a deusa da
terra, a deusa responsável pela vida.
- O
conhecimento esta em minha cabeça... Mas como?
- É o
grande poder se unindo ao pequeno isso faz com que vocês dois sejam enormes e
principalmente únicos.
-
Compreendo minha missão. Então, sou imortal?
- Não
como nós, Altos-Anjo, vocês deuses podem ser destruídos ou mortos por algo que
tenha o mesmo poder de vocês ou maior que isso, mas criaturas tão celestiais
não devem entrar em conflito, o poder de vocês se cruzar, pode rachar a
película que existe entre a realidade e Aqui. Caso você venha a ser destruída,
sua essência será perdida assim como suas memórias do que você um dia foi, você
me compreende?
- Sim.
- Se você
como deusa da natureza morrer, todos os seres vivos, mágicos e não mágicos
morrerão também. Se preserve. Você vai compreender sozinha como começar.
-
Obrigada, cuidarei de tudo. Posso conhecer os outros?
- Claro.
Alkimium.
Talvez o maior laboratório arcano de
Keldora. Lá a pessoas e seres estudam como manipular a magia, como derrotá-la
quando preciso e principalmente como compreende-la. Existem seres que são
abençoados com dons e outros que simplesmente se esforçam para ter o dom. O dom
nada mais é que a manifestação de uma habilidade nascida com um ser que deve
ser despertada a partir da prática seja ela qual for. Estes com certeza são
muito mais confiantes em suas habilidades do que qualquer um. Alzr é um humano
com este potencial. A magia sempre foi seu interesse e dês de pequeno por não
possuir a magia em suas veias mas ver que outros seres conseguem manipular, ele
decidiu aprende-la mesmo que os meios o impedissem.
Alzr estudou muito os escritos dos antigos e compreendeu que a
magia pode ser de qualquer um e não apenas de “certos”, como todos dizem. Alzr
tornou-se com o tempo o maior mago da história presente de Keldora, conseguiu
aprender todas as magias vistas e até criou as suas, mas ele não queria apenas
manipular a magia, ele queria Ser a Magia. Um dia com seu assistente Mayan, ele
fez um cálculo e notou algo:
- Mayan, eu acabo de pensar em uma coisa.
- Diga mestre.
- Sabe por que calculamos algo?
- Para descobrir o resultado?
- Sim isso mesmo, porém, se existe um meio sempre vai existir
uma resposta. Se existe isso tudo, é possível, dês que acreditemos e imaginemos
com muita fé em nós principalmente.
- Nossa que profundo isso mestre.
- Sim Mayan. Estas são minhas últimas palavras como mortal.
- O que quer dizer com isso mestre Alzr?
Alzr estava de costas para Mayan e de frente para uma lousa e
quando se virou para o discípulo sua mão estava tornando-se translúcida e aos
poucos tomava conta de seu braço e seu corpo.
- Compreendi tudo deste mundo finalmente e isso em apenas uma
vida e com uma filosofia. Estarei olhando por vocês e quem sabe eu consiga
deixar este mundo melhor ao lado deles.
- Mestre seu corpo?! – indagou o discípulo assustado e meio sem
reação.
- Uma pequena força deve compreender as maiores para conseguir
tornar-se parte dela. Adeus.
Alzr é o único deus de Keldora que não precisou de ajuda para se
tornar deus. Ele tornou por ser simplesmente criativo. Pessoas e seres
criativos usam sua imaginação para se chegar a resultados e se eles conseguem
ver os resultados, é porque estão próximos a alcançá-los.
