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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Livro 1, Capítulo 1: Grande e a Pequena Força



Conta as canções dos bardos que os Ezerl Hazam-züm antes de verem a verdadeira morte de Yudvar lhes foram ordenado pela própria voz de Yudvar a encontrar um ser com algo em especial para que sua pequena força pudesse se unir a gigantesca força de seu ser se transformar em uma energia nova, conhecida como deus.
No inicio, as primeiras vilas e vilarejos humanos foram surgindo e com elas muitas coisas foram aprendidas de acordo com a necessidade com o passar dos anos. A forja e a arte da guerra para se defender dos constantes ataques dos orcs que durante a noite os atacavam na caçada noturna por cervos e coelhos.


Puerzan era um menino curioso que queria muito ser caçador como seu falecido pai um dia foi. Não existem contos falando da sua real aparência. Seu vilarejo ficava a muitas milhas do mar e muito próximo de uma floresta que nem mesmo os elfos tinham coragem de viver pela quantidade de tribos orcs que caçavam animais por ali. Os humanos por anos tentavam se comunicar com os orcs tentando um acordo de paz, porém os orcs dali apenas pensavam em pilhagem, matança e destruição. Eram seres de completa ignorância e que apenas se preocupavam com seu próprio rabo não tendo como formar um grupo organizado, apenas bandos que vivem sempre em conflitos. Durante a noite era proibida a saída da vila e os portões eram fechados para que nenhum orc invadisse. Fogueiras enormes eram posicionadas em frente aos portões principais de forma que o afastassem devido à aversão dessas criaturas a qualquer tipo de luz, já que os mesmo odiavam a luz do Sol e do fogo.
Puerzan era zombado por outros garotos da sua idade por que ele não consegui nada durante as caças feitas em grupos nas florestas no período da tarde.
- Hahaha!Lá vem o Sr. Caçador! – disse um garoto tirando sarro da cara de Puerzan que estava triste devido a situação.
- Não vejo o porquê ficar zombando da cara de Puerzan, ele apenas não teve sorte hoje... E nem nunca terá!hahahaha – outro garoto próximo começou a rir apontando para Puerzan e todos os outros rirão dele também.
Puerzan serrou os punhos e abaixou a cabeça e em seguida os encarou estendendo o seu braço direito e disse – não vão ser as palavras de vocês que vão destruir o destino glorioso que os céus me reservam.
- Ah lógico e um enorme coelho cairá do céu! – todos riram e Puerzan passou por eles indo em direção a cabana onde morava dizendo a seguinte frase.
- Hoje à noite eu irei à floresta enfrentar meus medos e trarei de manhã um coelho e vocês verão o quão bom caçador eu sou.
Durante a noite decidiu que iria conseguir a sua caça por conta própria e saiu em direção à floresta. Sua mãe durante a noite notou a falta de seu filho e acordou. Ela foi verificar na cama dele e ele não estava deitado. Ela procurou por toda a cabana e viu que ele não estava ali dentro, ela começou a entrar em desespero e saiu gritando no meio do vilarejo nome de seu filho e acabou acordando a todos.
- PUERZAN!PUERZAAAAN!
Um homem a segurou pelos braços e olhou para ela assustado com a gritaria que fizera. As pessoas saíram e foram ver o que estava acontecendo e começaram a se perguntar o que está havendo aqui? e porque ela está gritando?.
- Puerzan saiu de casa, eu não sei onde ele está – disse com os olhos derramando lágrimas, enquanto os garotos da manhã se aproximavam dela.
- Acho que Puerzan foi caçar.
- Como assim caçar?! Isso é ridículo, não é hora de caçar! Quem daria uma idéia estúpida a ele de ir caçar a noite?
- Na verdade... Ele disse que faria isso hoje de manhã a nós – a mãe arregalou os olhos assustada, pois sabia do perigo dos orcs e correu em direção do portão principal e percebeu que ele esta um pouco aberto. Seus músculos das suas pernas começaram a tremer e ela entrou em pânico com a idéia de seu filho ter saído durante a noite na floresta cheia de orcs. Ela correu então para a cabana do líder do vilarejo que não havia acordado não se sabe como, e todos a seguiram com grande curiosidade para ver o que ela iria fazer a respeito.
- Grande mestre! Grande mestre me atenda, sou uma mãe desesperada pela vida de meu filho.
O mestre, um senhor de idade avançada apareceu segurando um pedaço de madeira como bengala e lhe disse já prevendo o que acontecera – conhece as regras e sabe o que aconteceu. Nenhum homem pode sair do vilarejo à noite, pois existe o perigo lá fora e não somos o suficientemente fortes para combater algo que esta em seu território... Esqueça seu filho, há essas horas ele não deve mais ter vida dentro de seu corpo.
Ela olhou assustada com as palavras frias do mestre e saiu correndo passando por todos os outros que estavam atrás dela e os disse ao se aproximar do portão principal.
- Se nenhum homem tem a coragem para me ajudar e se o líder é tão obediente a regras, eu que sou uma mulher irei atrás de minha cria e a trarei de volta, podem ter certeza – com as lágrimas como armas ela saiu e correu floresta adentro antes que alguém pudesse a impedir de avançar.
Ela andou e procurou por horas e nada, até que em um momento quando perdera as esperanças ela o encontra segurando em sua mão esquerda uma pequena lança tosca e na outra mão segurando pelas orelhas uma lebre.
- Bem, não é exatamente um coelho... Mas acredito que ninguém vai perceber muita diferença, certo mãe? – disse ele com um sorriso no rosto
Ela correu em sua direção e o abraçou forte com lágrimas escorrendo pelo seu rosto com tamanha felicidade de ver que seu filho estava bem.
- Nunca mais faça isso comigo Puerzan... Nunca mais saia desse jeito – ela o abraçava quando percebeu uma presença a sua frente.
Um orc enorme esta parado em sua frente empunhando um machado muito gastado e cheio de sangue e em outra mão segurava um cervo pelo pescoço que estava quebrado. Ao ver a criatura, um calafrio subiu pela sua espinha e seus pelos arrepiaram com a sensação de medo e morte. Ela soltou seu filho e foi para frente dele.
- CORRA PUERZAN! – ela se levantou e ficou de braços abertos em frente do orc em sinal para não ultrapassar ou ferir seu filho. O orc ergueu seu machado e desceu sem um pingo misericórdia e neste instante Puerzan puxa sua mãe pelas roupas e entra em direção do machado sendo acertado junto com a sua mãe. Os corpos caíram cada parte um canto. Corte dilacerador vindo de uma enorme força, foi uma chuva vermelha.
Avelangelus encontrou Puerzan no túnel para o renascimento e disse que assistiu sua bravura ao entrar na frente para tentar proteger sua mãe da criatura. Puerzan chorou por não poder proteger sua mãe e por ter sido orgulhoso.
- Não se preocupe – disse o Alto-Anjo com voz firme – você fez seu melhor, e agora sabe que o único caminho do orgulho é o fracasso e por isso merece um presente.
Avelangelus abriu sua mão diante a Puerzan e uma caixa branca com um símbolo apareceu num passe de mágica.
- Abra, tenho certeza que é você. – disse o Alto Anjo com um sorriso no rosto.
Puerzan abriu a caixa e uma luz forte surgiu e iluminou tudo, ele compreendeu tudo no mundo e aprendeu o que era ser um Deus. Aprendeu sobre benevolência e justiça. Puerzan ficou encarregado do ser o protetor dos bons ventos e criou um pequeno plano aonde as boas almas poderiam descansar em vez de renascer se assim escolhessem, porém os que renascessem deveriam fazer uma preparação para tal e esqueceriam todas suas memórias passadas e teriam uma vida nova. Ela chamou o plano de Vale dos Unicórnios. Um lugar místicos que acolhia as criaturas que levavam o nome do vale. Dizem que o chifre de um unicórnio tem o poder de reviver um morto e purificar a terra. E aonde estes animais vivem existe a paz.

Existiam outros seres providos de coragem, genialidade e principalmente burrice... Mas de forma exagerada.
Criaturas humanóides de estatura aproximadamente entre os oitenta centímetros de altura e pele de coloração geralmente verde e raramente vermelha dependendo da região, tem um enorme nariz e orelhas grandes, e pontiagudas. Eles se organizavam em tribos dentro de montanhas ou próximos a desertos e prestavam muitas vezes serviço aos humanos para poderem trocar por materiais, porém eram desprezados pela sua aparência e força física baixa, considerados ratos e trapaceiros geralmente por suas “espertezas” e trapaças. Dentre todas as tribos existia uma em especial que era a Tribo do Dragão de Fogo. A tribo levava este nome por venerar um dragão vermelho o qual acreditavam ser um deus pelo seu tamanho. Este dragão morava na vila e protegia os goblins dos humanos e quaisquer outros seres como os kolbolds, criaturas humanóides com aparência de lagarto que tinha entre cinqüenta a setenta centímetros. Os goblins viviam em guerra com os kolbolds durante gerações, mas nunca nenhum acordo de paz foi tentando entre as duas raças porque toda vez que uma raça encontrava a outra, havia somente certeza que sairia briga.
Dizem que no Deserto de Nair existe um templo que foi erguido por um rei dragão e lá existe a Fagulha Primal. Esta seria a primeira chama que deu origem ao universo e que teria o poder de um deus e quem a tivesse seria aclamado como rei dragão das chamas.
Porém, apenas lenda até então.
Gambitos era um goblin vermelho que vivia nessa tribo e que sempre ouviu essas lendas desde que era um filhote. Um dia sua tribo se encontrou em um grande problema, o dragão estava doente, quase morrendo e o único jeito de fazer ele melhorar seria lhe dando mais poder. Gambitos foi o escolhido a sair da tribo e tentar salvar o dragão, ele era sem dúvida o guerreiro goblin mais corajoso e forte que já se ouviu falar. Ele recebeu a benção dos xamãs anciões de sua tribo e saiu em jornada pelo Deserto de Nair carregando uma lendária lança feita com madeira da floresta eterna dos elfos. e a ponta feita de escama de dragão, uma lança de ponta vermelha, a Igniságro, uma capa de coloração igual ao do deserto com capuz para lhe proteger do sol escaldante do deserto e para se camuflar no deserto e uma bolsa com mantimentos para uma semana.
Ele foi indo em direção ao deserto com o capuz em sua cabeça caminhando em passos moderados para não se esquentar demais, apesar dos goblins terem certa resistência ao calor, eles ainda sofrem o efeito do cansaço como os humanos. O primeiro dia ele andou simplesmente em linha reta até o anoitecer, ele havia agradecido ao dragão por esconder o sol para que sua pele pudesse descansar do calor escaldante. Ele sabia que a cada passo estava mais próximo de seu objetivo e que se desistisse não só estaria fracassando com sua vila e sim mentindo a si mesmo.
Ser confiado pelos anciões goblins era o mesmo dizer que é quase um status máximo de nobreza entre os goblins, e isso quer dizer que você pode ser indicado a líder da aldeia, ou tribo caso consiga realizar o grande feito que lhe foi destinado. Gambitos não pensava nisso, não. Ele realmente não pensava em que iria ganhar, ele pensava no bem estar dos goblins que viviam lá. Nesta dia ele apenas caminhou, não se alimentou e dormiu com o manto sobre ele para não ser pego desprevenido. No dia seguinte o calor bateu com certa intensidade sobre o seu manto que quase o queimou, porém sua pele protegida pelo manto ainda eram muito resistente, e ele apenas sentiu um pouco de calor. Ele continuou a caminha em linha reta olhando para os lados atenciosamente para ver se encontrava algo de diferente no caminho que lhe pudesse indicar o caminho do templo, mas nada, apenas areia e o sol.
Ele caminhava em passos um pouco rápidos quando sentiu uma vibração na areia. Parou e pegou sua lança com as duas mãos armando uma posição em base firme e em prontidão, tentando ouvir de onde vinha o som. O tremor oscilou umas três vezes em intervalos de cinco segundos mais ou menos. Ele olhava atentamente para encontrar de onde vinha, sabia que não era uma causa natural, quando a sua frente viu um volume enorme de terra se formar vindo um uma direção em grande velocidade em sua direção.Ele olhou espantado sem entender inclinando sua cabeça um pouco para trás e inclinando o rosto para o lado esquerdo sem entender muito bem o que era, e quando o volume estava a uns metros próximos dele o volume sumiu levantando areia como se a areia levasse um impacto forte, Gambitos puxou a capa para frente de seu rosto para proteger seus olhos contra a areia e logo percebeu que o chão debaixo de seus pés estava se tornando areia movediça, ele logo ao perceber saltou alto, bem alto, para não ser pego olhando para a área que acabou de escapar, quando houve um grunhido fino e longo.
- Mas que droga está acontecendo aqui? – se perguntou Gambitos – de onde raios veio este som?
Um enorme verme parecido com uma centopéia púrpura, com escamas parecidas com de um dragão que se moviam de forma rítmica quase se desprendendo do corpo serpenteado da criatura de órbitas oculares de coloração amarela e uma central no ponto da testa um pouco maior aonde saia uma fumaça negra. Com suas mandíbulas de inseto laterais na frente uma abertura vertical cheia de dentes serrilhados ele saiu de dentro da areia e avançou em direção de Gambitos que estava descendo ainda do salto que havia dado. Gambitos rodou a lança em sua mão rápido e cada vez mais rápido e a ponta da lança começou a brilhar e a incendiar e quando o verme chegou próximo dele um tronco em forma de punho acertou um soco no verme e em seguida o segurou pela cabeça e várias raízes e galhos foram saindo do punho e começaram a envolver e a apertar o verme, e ele grunhia de como se estivesse sofrendo de dor.
- Criatura maldita, vai ser meu café da manhã!
Gambitos tacou a lança rodando em chamas em direção do tronco e tudo que estava envolvido começou a pegar fogo. O verme se contorcia tentando escapar, mas nada que fizesse conseguiria lhe tirar da prisão criada pela lança que após acertar o alvo voltou para a mão de seu dono como um bumerangue .
Vários dias se passaram Gambitos não tinha mais noção de quanto tempo havia se passado. Sua comida já havia acabado e ele estava sobrevivendo dos lagartos e outras criaturas que encontrava no caminho e matava. Quando estava terminando de subir uma duna deu de frente com uma horda de kolbolds. Eles perceberam sua presença e o olharam enfurecidos e ele deu um breve sorriso aos kolbolds, como se a glória viesse novamente para seus braços. Ele queria aquele sangue sendo jorrado. Então em goblinóide que era a língua comum entre as raças eles começaram a falar:
- Seus merdas! – disse Gambitos – tudo frutinha da mesma flor.
- Lixo, você é um contra vários – respondeu o líder da horda – vai morrer esmagado.
- Acho que encontrei meu almoço! – disse Gambitos com uma expressão diabólica nos olhos.
Gambitos desceu a duna e os kolbolds subiram em sua direção. Eram mais de 50 kolbolds usando lanças, facas e fundas. Gambitos se aproximou do primeiro e o golpeou com sua lança que a cada golpe brilhava em chamas. Outro kolbold veio pelo seu flanco lhe atacar com uma faca, que foi logo esquivada rapidamente pelo seu reflexo bem treinado e um contra ataque com a ponta do cabo da lança na boca do kolbold fez ele perder todos os dentes da frente, e assim  foi se aproximando. Ele atacava, acertava e ia para o próximo sem maiores dificuldades, e sem fazer quase nenhum esforço. Já havia derrubado dez com apenas um golpe seco na garganta em cada, e caminhava relaxado, com olhar determinado a frente, esquivando poucas vezes e contra atacando com sua lança em chamas. Ele levou algumas pedradas dos que usavam fundas mas não se machucou tanto, logo ele já havia derrubado mais da metade deles e estava começando a ficar exausto quando pensou “eu tenho que invocar ajuda” e então saltou o mais alto que pode e começou a recitar o canto dos anciões que haviam lhe ensinado a muito tempo, enquanto segurava sua lança:

As chamas de suas penas
São as fagulhas de centelha
O fogo de sua existência
Queima a floresta da fraqueza
E traz o brilho da vitoria
Gambital, eu te invoco
Lute para seu senhor

O céu escureceu e as nuvens ficaram vermelhas naquela região. Onde Gambitos estava parado, logo acima dele nas núvens, o vento ficou mais forte e começou a ganhar força e raios vemelhos começaram a serem descarregados, tornando as núvem brancas em negras e em seguida em vermelho como sangue. O vento era forte, e circulava Gambitos, assim, não deixando os outros kolbolds subir a duna que ele estava. A núvem ganhou intensidade e de lá uma algo parecido com uma ave foi conjurada e descia. Ela tinha três caudas de lagarto com três penas em chamas que flutuavam nas pontas, sua órbitas oculares eram amarelas e perto da pupila um tom laranja, sua penas vermelhas como fogo e uma armadura que refletia chamas por dentro, o bico era pontudo e serrilhado em algumas partes e ela soltava um som estridente que deixava todos surdos, menos o seu conjurador.
- Gambital, a ave lendária dos contos dos sábios das chamas, por favor me conceda seu poder de chamas e destrua estes seres para meu almoço bem feito – disse Gambitos em tom irônico.
Gambital ergueu sua cabeça, puxou o ar que começou a vir em forma de energia como se fosse luz e foi acumulando em forma de esférica, fez um movimento brusco com a cabeça para frente disparando a energia na direção os kolbolds. A esfera acertou o chão e começou a sugar todo o ar em volta naquela região. Gambital voou em direção a Gambitos e ele a montou e ficou protegido do efeito do poder da ave invocada. Os kolbold seguravam sua gargantas tentando puxar o ar, mas ele não vinha. Em seus olhos as veias saltavam e seus corpos espasmavam. Quando todos os kolbolds finalmente caíram a invocação foi cancelada e Gambitos caiu no meio dos kolbolds derrotados, ainda exausto. Ele foi em direção de um, agachou e serrou com sua faca cega a cabeça com a ponta da lâmina da lança e fincou. Pegou o lagarto pela calda e foi puxando, seguindo reto, quando algo lhe acertou pelas costas. Ele olhou para trás sentindo aquela fisgada e viu o líder dos kolbolds olhando para ele sorrindo em seus últimos suspiros. Ele removeu uma faca de suas costas.
- Vene...no... gob... – antes do líder terminar Gambitos estava descendo com suas garras na cabeça do kolbold bem em direção ao seu olho e adentrando com tamanha violência que fizera maior sujeira. Ele começou a vasculhar nos corpos se tinha algum antídoto entre eles e encontrou algo e bebeu. Logo se sentiu bem e continuou a caminhar levando o corpo até a hora que ficasse com fome realmente.
Durante cinco meses enfrentou hordas de kolbolds e vermes gigantes. Muito ferido pelos excessivos combates pelo caminho finalmente conseguiu encontrar o lendário templo, mas a exaustão o fez perder a consciência e ele desmaiou em frente ao primeiro degrau do templo. Kanji-ha o observava de longe em outro plano.
Assim como uma miragem que surge do nada, Kanji-ha apareceu em frente a Gambitos e o olhou por um instante. Ele se agachou e pegou o goblin em seus braços, olhou para escadaria de forma calma e subiu degrau por degrau em passos calmos. Ele entrou no templo que mais parecia uma antiga tumba e caminhou por um corredor extenso e cheio de armadilhas que desarmavam quando ele passava por elas. Finalmente chegou ao final do templo encontrando em um altar a fagulha que flutuava como se tivesse realmente vida própria como contavam as lendas. Ao sentir o calor da fagulha Gambitos começou a despertar do reino dos mortos e olhou sem entender  e então sorriu para Kanji-há sem forças para reagir, mas entendendo que ele o salvou de alguma forma.
- Obrigado humano – disse o goblin com a voz ofegante – graças a você meu povo viverá.
- Não sou um humano, pequena criatura, eu sou um Alto-Anjo – Kanji-há tocou com seu indicador direito a testa de Gambitos enquanto lhe segurava com seu braço esquerdo e ele compreendeu o que ele dizia – Seu povo morreu há três meses. O dragão que os protegia morreu quando você saiu e eles foram atacados por elfos que queriam o cadáver do dragão para obter o seu maná, peles e dentes.
- Entendo – as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, a tristeza estava visivelmente estampada em toda sua expressão corporal.
- Porém não é o fim, nunca é o fim – ele colocou o goblin no chão com cuidado e sse sentou com as pernas cruzadas em frente de Gambitos, juntou suas mãos e estendeu uma a Gambitos e uma caixa vermelha com um símbolo apareceu – se você realmente quer poder fazer a diferença... Seja então a diferença. O tamanho apenas assusta, mas tudo na vida tem um fim e na morte um começo. Creio que seja você a quem eu deva dar o que está aqui dentro.
- E o que tem aí dentro?
- Tem tudo o que você precisa para realizar seus sonhos. Você tem sonhos?
- Sim eu tenho. Porém estes sonhos eram para todos.
- Se seus sonhos eram para todos, eu não vejo o porquê de não te presentear, Deus Gambitos.
- Deus? Do que você fala?
- Abra e descubra.
Gambitos pegou a caixa e a abriu lentamente com certo receio e uma luz vermelha foi surgindo de dentro dela e fascinando seus olhos e a quando a caixa foi finalmente toda aberta a luz tomou conta de seu corpo e o conhecimento sobre muitas coisas também o cobriu. Ele sorriu. Sua forma não era mais goblinóide, era de um humano e muito parecido com Kanji-ha, banhado por sua vergonha como goblin por não completar sua missão espiritual. Ele se percebeu em um lugar onde o fogo e as terras queimadas predominavam. Montanhas vermelhas e vulcões explodindo sua lava a todo instantes maravilhavam os olhos de Gambitos.
- Onde estamos anjo?
- Para onde os que pecam vem, maravilhoso não acha? Você cuidará de seus portões e terá o poder absoluto das chamas e das criaturas nascida dele. Você será o herdeiro e porteiro do Inferno Keldoriano.
Gambitos olhou espantando e confuso porém um breve sorriso surgiu no canto de seus lábios – entendo, em alguns anos verei aqueles que mataram meu povo novamente.
- Sim – afirmou o Alto Anjo com o rosto sem expressão de sentimentos – faça o que bem entender, você tem inteligência o suficiente para distinguir o certo do errado, agora é apenas questão de querer – o Alto anjo desapareceu em forma de areia começando por baixo que subiu como se fosse levantada pelo vento e aos poucos sumiu no ar.

A meio-elfa corria mais do que suas pernas agüentavam. As feridas de chicote ardiam até os ossos, o sangue escorria deixando um rastro pela floresta e a deixando cada vez mais tonta com a perda do sangue, sua respiração estava ofegante, seus batimentos baixos e sua vida se extinguindo aos poucos. Logo atrás gritos e flechas vindo em sua direção.
- Sua puta! Brinquedo de humanos volte e termine de ser castigada!hahaha!
- Floresta, por favor, me salve – uma barreira de troncos se formou logo atrás da meio-elfa bloqueando a passagem dos seus algozes.
- Sua vadia! Voltaremos para cortar em fatia seu corpo depois te violar novamente... – as vozes que vinham de traz da barreira se afastavam e diminuíam até que finalmente ficou silêncio.
A meio-elfa sentou-se e abraçou seus joelhos e abaixou sua cabeça e sua lagrimas escorreram pelo seu rosto.
Seu crime?Amar um humano.
O maior crime que pode ser cometido por uma meio-elfa aceita pelos elfos.
Seu castigo? A morte!
Acreditar que a morte seria a melhor punição para seu “crime”,  não estava em sua crença, principalmente neste momento. As feridas em seu corpo fizeram que o maná da barreira que havia criado fosse cedendo e assim, a barreira também. As feridas eram muito graves e provavelmente ela morreria… E ela morreu.
Caminhava até o Vale dos Unicórnios e estava feliz por saber que iria para um lugar bom, subia uma escadaria feita de luzes de certezas e satisfação. As escadas pareciam ser infinitas, mas após subir mais uma centena de degraus ela se depara com um ser feminino que a olhava com o rosto um pouco inclinado e com um sorriso singelo. Solange parou três degraus antes de chegar até onde ela estava e lhe perguntou:
- Você não vai subir?
            - Não preciso e talvez você possa subir muito mais que isso, depende do quanto de amor por tudo que você fez esteja nesse instante te dando força para criar estes degraus.
            - Vejo que você sabe muito daqui, então não deve ser alguém qualquer, certo? – perguntou a meio-elfa curiosa com a situação.
            - Na verdade antes de muita coisa eu já estava aqui.
            - Você deve esta com o bumbum doendo de tanto estar esperando sentada.
As duas se entreolharam sérias por um momento e caíram na risada – realmente deve ser você quem eu estava procurando, a “lady das matas”.
            - Do que está falando?
            - Vou me apresentar antes de qualquer coisa. Meu nome é Solenis, sou o Alto-Anjo responsável pela magia neste mundo e responsável por tornar mortais... Ou quase mortais em deuses para cuidar melhor desta terra e ajudar seus irmãos que serão em breve seus filhos... Isso se o maná que contenho nessa caixa se identificar com o seu – ela estendeu uma caixa verde com um símbolo para Solange. Ela subiu um degrau e em seguida outro, se inclinou um pouco com sua mão direita próxima a seu queixo e com a mesma foi aproximando com o indicador até finalmente encostar a caixa. A reação foi estrondosa, a liberação fez com que seus cabelos balançassem com a luz verde que ela emitia e com a energia que era liberada em como se fosse uma ventania. Solange sentiu como se toda a natureza estivesse em seu corpo – Solange este é o poder das matas, com ele você se torna a deusa da terra, a deusa responsável pela vida.
            - O conhecimento esta em minha cabeça... Mas como?
            - É o grande poder se unindo ao pequeno isso faz com que vocês dois sejam enormes e principalmente únicos.
            - Compreendo minha missão. Então, sou imortal?
            - Não como nós, Altos-Anjo, vocês deuses podem ser destruídos ou mortos por algo que tenha o mesmo poder de vocês ou maior que isso, mas criaturas tão celestiais não devem entrar em conflito, o poder de vocês se cruzar, pode rachar a película que existe entre a realidade e Aqui. Caso você venha a ser destruída, sua essência será perdida assim como suas memórias do que você um dia foi, você me compreende?
            - Sim.
            - Se você como deusa da natureza morrer, todos os seres vivos, mágicos e não mágicos morrerão também. Se preserve. Você vai compreender sozinha como começar.
            - Obrigada, cuidarei de tudo. Posso conhecer os outros?
            - Claro.
Alkimium.

Talvez o maior laboratório arcano de Keldora. Lá a pessoas e seres estudam como manipular a magia, como derrotá-la quando preciso e principalmente como compreende-la. Existem seres que são abençoados com dons e outros que simplesmente se esforçam para ter o dom. O dom nada mais é que a manifestação de uma habilidade nascida com um ser que deve ser despertada a partir da prática seja ela qual for. Estes com certeza são muito mais confiantes em suas habilidades do que qualquer um. Alzr é um humano com este potencial. A magia sempre foi seu interesse e dês de pequeno por não possuir a magia em suas veias mas ver que outros seres conseguem manipular, ele decidiu aprende-la mesmo que os meios o impedissem.
            Alzr estudou muito os escritos dos antigos e compreendeu que a magia pode ser de qualquer um e não apenas de “certos”, como todos dizem. Alzr tornou-se com o tempo o maior mago da história presente de Keldora, conseguiu aprender todas as magias vistas e até criou as suas, mas ele não queria apenas manipular a magia, ele queria Ser a Magia. Um dia com seu assistente Mayan, ele fez um cálculo e notou algo:
            - Mayan, eu acabo de pensar em uma coisa.
            - Diga mestre.
            - Sabe por que calculamos algo?
            - Para descobrir o resultado?
            - Sim isso mesmo, porém, se existe um meio sempre vai existir uma resposta. Se existe isso tudo, é possível, dês que acreditemos e imaginemos com muita fé em nós principalmente.
            - Nossa que profundo isso mestre.
            - Sim Mayan. Estas são minhas últimas palavras como mortal.
            - O que quer dizer com isso mestre Alzr?
            Alzr estava de costas para Mayan e de frente para uma lousa e quando se virou para o discípulo sua mão estava tornando-se translúcida e aos poucos tomava conta de seu braço e seu corpo.
            - Compreendi tudo deste mundo finalmente e isso em apenas uma vida e com uma filosofia. Estarei olhando por vocês e quem sabe eu consiga deixar este mundo melhor ao lado deles.
            - Mestre seu corpo?! – indagou o discípulo assustado e meio sem reação.
            - Uma pequena força deve compreender as maiores para conseguir tornar-se parte dela. Adeus.
           


            Alzr é o único deus de Keldora que não precisou de ajuda para se tornar deus. Ele tornou por ser simplesmente criativo. Pessoas e seres criativos usam sua imaginação para se chegar a resultados e se eles conseguem ver os resultados, é porque estão próximos a alcançá-los.